segunda-feira, 22 de agosto de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Revista Veja Edição 1 627 - 8/12/1999
Irlanda do Norte
Entre inimigos Governo reunindo católicos e protestantes leva esperança de paz à região conturbada
Será que desta vez vai? O processo de paz na Irlanda do Norte deu um salto histórico na semana passada. O novo governo autônomo da província, que tomou posse na quinta-feira, não apenas mistura os arquiinimigos católicos e protestantes. Também inclui guerrilheiros empedernidos, como o ex-comandante do Exército Republicano Irlandês, o IRA, Martin McGuiness, na qualidade de ministro da Educação, e o reverendo Ian Paisley, líder unionista que até outro dia denunciava o acordo de paz como uma rendição ao terrorismo. Está se repetindo em Belfast o fenômeno dos acordos que transformam terroristas em políticos.
As negociações para a formação do governo – que põe fim a 27 anos sob a administração direta de Londres – estavam no limbo desde o ano passado. Isso porque os protestantes, defensores da permanência da província no Reino Unido (que reúne também a Inglaterra, a Escócia e o País de Gales), se recusavam a indicar seus representantes se o IRA não se desarmasse. O acordo renasceu com a promessa do grupo de entregar suas armas até fevereiro do ano que vem. Numa região fragmentada em linhas confessionais há séculos e em guerra aberta há três décadas, ainda é difícil de acreditar. A surpresa é que os 800 anos de conflitos tenham terminado não com a expulsão dos ingleses, como queriam os nacionalistas do IRA, mas com um acordo irlandês-britânico. A Inglaterra protestante invadiu a ilha na Idade Média. O catolicismo serviu como catalisador da identidade nacional irlandesa e da resistência contra a ocupação. A ilha foi partilhada em duas em 1921, com a maior porção transformando-se em República da Irlanda, independente e catolicíssima. Alguns condados do norte, de maioria protestante, se mantiveram como parte integrante da Grã-Bretanha – é o chamado Ulster ou Irlanda do Norte. Nos últimos trinta anos, confinadas em bairros separados por muros e cercas de arame farpado, as duas comunidades trocaram tiros e bombas, com mais de 3.500 mortos.
Num tratado assinado em abril de 1998 (apelidado de Acordo da Sexta-Feira Santa), Londres aceitou um governo autônomo na província. A República da Irlanda, em contrapartida, retirou de sua Constituição o dever de anexar o norte protestante. Ficou acertado também o governo partilhado. Pelo acordo, qualquer nova decisão sobre a soberania na Irlanda do Norte precisaria ser submetida a plebiscito. O católico John Hume e o protestante David Trimble, dois líderes moderados signatários do acordo, até dividiram o Prêmio Nobel da Paz. Em agosto, uma bomba reivindicada por uma facção radical do IRA deixou 28 mortos numa cidadezinha norte-irlandesa. E quase que tudo desanda. É aí que mora o perigo. Para que a paz seja duradoura, não basta que o acordo seja seguido à risca pelos políticos. Em um ambiente de ódios profundos, uns poucos atos de sabotagem são suficientes para pôr tudo a perder. Para complicar, o pacto na Irlanda do Norte não resolve o cerne do conflito – a maioria dos católicos (que representam 38% da população) continua desejando uma Irlanda unida, e a maior parte dos protestantes ainda prefere continuar cidadãos da Grã-Bretanha.
sexta-feira, 25 de março de 2011
A multiconcepção de natureza
Como vimos, a natureza, na sociedade capitalista, adquire valores totalmente diferentes daqueles estabelecidos na Idade Média, e o mais incrível é que o capitalismo, à medida que busca novas formas de reprodução do capital, por meio de novos modelos, acaba por imprimir novas idéias na concepção de natureza. Basta lembrar que no século XIX, ele se apropriou da Teoria da Evolução de Darwin, para legitimar sua ideologia liberal, em que a exclusão social passou a ser explicada como uma ordem natural das coisas. Desde a década de 1970 do século XX, estamos assistindo a mudanças na forma de conceber a natureza, em que inúmeras organizações não governamentais passaram a defender a bandeira da preservação ambiental.
Alguns pensadores chamam a atenção para a necessidade de uma maior consciência ecológica, no sentido de levar a sociedade a se conscientizar de que esta não existe separada da natureza. A visão do capital sobre a natureza também tem sofrido modificações, pelo menos no que se refere ao ritmo de exploração. O capitalismo já não mais defende que a natureza precisa ser sugada, explorada inescrupulosamente, por representar uma fonte inesgotável de recursos.
Não, o capital tem mudado o seu discurso e já inclui no seu dicionário a defesa do desenvolvimento sustentável. Nesse caso, cabem algumas considerações: o que estaria por trás dessa "nova" concepção de natureza? Será que o capital está se aproximando do conceito de natureza das comunidades primitivas? Será que agora ele defende os mesmos interesses defendidos pelos movimentos sociais e os ambientalistas? Essa preocupação do capital com a natureza acontece apenas como um discurso, pois se analisarmos o que se passa atualmente, constataremos que os recursos que garantem a reprodução do capital não são inesgotáveis, como se pensava e defendia-se até décadas atrás. Agora, a preocupação volta-se para a manutenção desses recursos enquanto geração de riquezas. Dessa forma, o que existe é a busca de uma preservação dos recursos naturais metamorfoseados em preservação ambiental, em que o desejo e o objetivo reduzem-se ao mero campo do aspecto econômico. É importante salientar que a ideologia capitalista tem difundido a idéia de que o grande responsável pela degradação ambiental é o consumismo, eximindo de culpa aqueles que são responsáveis pela produção exacerbada e socializando-a. Dessa forma, tem surgido o conceito de "homem abstrato", pois a linguagem que se usa afirma que é o homem que degrada a natureza. Mas de que homem se está falando? Não, não existe o homem abstrato discursado pelo capital, o que existe, na verdade, são homens concretos, que muito têm lucrado com a exploração desses recursos e com a concentração das riquezas e que agora buscam a socialização dos prejuízos.
Não se pode deixar de lado a luta pela preservação da natureza, como também não se pode ser adepto e defensor de uma visão romântica, que situa a natureza como algo intocável. É preciso ter plena consciência sobre essa artimanha do capital, para não cairmos no modismo ambiental e nos tornarmos agentes ambientais a serviço do capitalismo. Se percebermos que essa natureza não pode ser vista como máquina, mas como parte do próprio homem, perceberemos que é necessário que a preservação não seja apenas da biodiversidade, mas também da sociodiversidade, afinal sociedade e natureza possuem uma única história. A relação entre a natureza e o homem não se dá de forma abstrata, mas concreta. A partir da transformação do natural, essa sociedade passou a produzir sua própria existência, intermediada pelo processo do trabalho.
Alguns pensadores chamam a atenção para a necessidade de uma maior consciência ecológica, no sentido de levar a sociedade a se conscientizar de que esta não existe separada da natureza. A visão do capital sobre a natureza também tem sofrido modificações, pelo menos no que se refere ao ritmo de exploração. O capitalismo já não mais defende que a natureza precisa ser sugada, explorada inescrupulosamente, por representar uma fonte inesgotável de recursos.
Não, o capital tem mudado o seu discurso e já inclui no seu dicionário a defesa do desenvolvimento sustentável. Nesse caso, cabem algumas considerações: o que estaria por trás dessa "nova" concepção de natureza? Será que o capital está se aproximando do conceito de natureza das comunidades primitivas? Será que agora ele defende os mesmos interesses defendidos pelos movimentos sociais e os ambientalistas? Essa preocupação do capital com a natureza acontece apenas como um discurso, pois se analisarmos o que se passa atualmente, constataremos que os recursos que garantem a reprodução do capital não são inesgotáveis, como se pensava e defendia-se até décadas atrás. Agora, a preocupação volta-se para a manutenção desses recursos enquanto geração de riquezas. Dessa forma, o que existe é a busca de uma preservação dos recursos naturais metamorfoseados em preservação ambiental, em que o desejo e o objetivo reduzem-se ao mero campo do aspecto econômico. É importante salientar que a ideologia capitalista tem difundido a idéia de que o grande responsável pela degradação ambiental é o consumismo, eximindo de culpa aqueles que são responsáveis pela produção exacerbada e socializando-a. Dessa forma, tem surgido o conceito de "homem abstrato", pois a linguagem que se usa afirma que é o homem que degrada a natureza. Mas de que homem se está falando? Não, não existe o homem abstrato discursado pelo capital, o que existe, na verdade, são homens concretos, que muito têm lucrado com a exploração desses recursos e com a concentração das riquezas e que agora buscam a socialização dos prejuízos.
Não se pode deixar de lado a luta pela preservação da natureza, como também não se pode ser adepto e defensor de uma visão romântica, que situa a natureza como algo intocável. É preciso ter plena consciência sobre essa artimanha do capital, para não cairmos no modismo ambiental e nos tornarmos agentes ambientais a serviço do capitalismo. Se percebermos que essa natureza não pode ser vista como máquina, mas como parte do próprio homem, perceberemos que é necessário que a preservação não seja apenas da biodiversidade, mas também da sociodiversidade, afinal sociedade e natureza possuem uma única história. A relação entre a natureza e o homem não se dá de forma abstrata, mas concreta. A partir da transformação do natural, essa sociedade passou a produzir sua própria existência, intermediada pelo processo do trabalho.
COSTA, Jodival Maurício da. A multiconcepção da natureza. Publicado em 24/02/2005.
Disponível em: . Acesso em: 07 mai. 2010.
sexta-feira, 18 de março de 2011
sábado, 12 de março de 2011
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